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Medicamento centenário reverte sintomas de autismo em ratinhos

De acordo com os investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, estes resultados vão de encontro à ideia recentemente formada de que o autismo é causado por vários fatores interligados. “Vinte por cento dos fatores associados ao autismo conhecidos são genéticos, mas a maioria não o é. É errado pensar que os fatores ambientais e genéticos são independentes. Estes dois fatores interagem sendo o resultado desta interação o metabolismo”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Robert K. Naviaux. O investigador acrescenta que as alterações no metabolismo são um dos sintomas universais do autismo.

Quando as células são ameaçadas ou danificadas por agentes patogénicos , por substâncias químicas ou ainda por forças físicas, os seus processos metabólicos internos são alterados e a comunicação entre as células diminui. Esta é a chamada resposta das células ao perigo, que se persistir, pode resultar em danos permanentes. Na infância pode mesmo conduzir a um atraso no desenvolvimento do sistema nervoso.

De acordo com os autores do estudo, as células comportam-se como países em guerra. Perante algum tipo de ameaça deixam de confiar nos seus vizinhos e o seu comportamento é afetado. No caso dos neurónios, estes podem começar a estabelecer poucas ou demasiadas ligações. À luz do autismo, “quando os neurónios deixam de comunicar entre si, a criança deixa de falar”, referiu referiu o investigador.

Neste estudo, os investigadores analisaram o sistema de sinalização celular envolvido neste processo, tendo-se focado no papel dos nucleótidos, como o ATP, e aos recetores associados ao autismo, conhecidos como recetores purinérgicos, aos quais os nucleótidos se associam.

Os investigadores testaram assim o efeito do conhecido inibidor da atividade destes recetores, a suramina – um fármaco sintetizado pela primeira vez em 1916. Foi verificado que a administração da suramina a ratinhos geneticamente modificados para apresentarem sintomas de distúrbios do espetro autista bloqueou a resposta das células ao perigo. As células e o metabolismo dos animais voltaram à normalidade e os comportamentos associados ao autismo foram revertidos.

Os autores do estudo referem que apesar de estarem conscientes que ainda há um longo caminho a percorrer até se conseguir obter a cura nos humanos, esta é uma nova forma de analisar e enfrentar o autismo.

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