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Terapia de estimulação cerebral profunda para epilepsia refratária reduz 69% das convulsões

Notícia epilepsiaResultados do estudo clínico que foi desenvolvido durante cinco anos e que constitui a maior avaliação clínica sobre esta técnica realizada até hoje geram perspetivas animadoras.

Maior segurança, melhoria na qualidade de vida e redução das convulsões em doentes com epilepsia grave resistente ao tratamento. Estas são as conclusões do estudo sante, as iniciais anglo-saxónicas de stimulation of the anterior nucleus of the thalamus in epilepsy, a maior avaliação clínica sobre esta técnica jamais elaborada. De acordo com os investigadores que a levaram a cabo, «a estimulação cerebral profunda (ecp) em adultos com epilepsia resistente ao tratamento (refractária) permite uma redução média de 69% das crises epiléticas num período de cinco anos». Os dados foram publicados no jornal Neurology, nas edições online e impressa de março e incluem resultados de segurança, eficácia e qualidade de vida a longo prazo associados à ecp.

“O estudo revela ainda que esta técnica aplicada à epilepsia está associada a uma redução sustentada e estatisticamente significativa na frequência das convulsões em crises parciais e que permite uma melhoria ao longo do tempo (redução média de 41% no primeiro ano e de 69% a cinco anos). Para além da redução do número de crises, este estudo evidenciou ainda que a resposta de sucesso à técnica (pacientes com redução de episódios de 50% ou mais) foi de 68% ao fim de cinco anos, relativamente aos 43% no primeiro ano», refere a medtronic, líder mundial em tecnologia médica em comunicado.

Ao longo dos cinco anos, 16% dos pacientes relataram um período de pelo menos seis meses sem episódios de convulsões e foram observadas melhorias estatisticamente significativas na qualidade de vida e gravidade das convulsões. «o evento adverso mais grave durante os cinco anos esteve relacionado com infeção no local de implante com uma taxa de 10%. Não houve mortes nem efeitos adversos relacionados com o implante do dispositivo. Os problemas associados ao implante do dispositivo foram reversíveis e esperados com este tipo de procedimento cirúrgico», refere ainda o documento.

«A terapia de ecp para epilepsia utiliza um dispositivo médico implantado cirurgicamente, semelhante a um pacemaker cardíaco, que por meio de impulsos elétricos, estimula um alvo no cérebro chamado núcleo anterior do tálamo (nat), que está implicado no circuito cerebral de propagação das crises. A ecp está aprovada em mais de 30 países, incluindo o Canadá, a Austrália, Portugal e outros países da união europeia, como tratamento adjuvante para crises parciais em adultos diagnosticados com epilepsia refratária», pode ler-se ainda.

Estima-se que a epilepsia afete cerca 50 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo aproximadamente seis milhões de pessoas na europa e 2,3 milhões de adultos nos estados unidos da américa. «pelo menos 30 por cento desta doença é considerada refratária, sendo diagnosticada depois de dois medicamentos anti-epiléticos falharem no controlo das convulsões», refere ainda a medtronic. «os últimos resultados do estudo sante revelaram dados importantes sobre os benefícios a longo prazo da terapia de ecp no nat e mostraram ser promissores para os pacientes com epilepsia parcial grave, resistentes a outros tratamentos e não-candidatos à cirurgia ressetiva», diz Vicenta Salanova, professora de neurologia da faculdade de medicina da universidade de indiana e autora da publicação.

«A eficácia do tratamento a longo prazo é fundamental para as pessoas que sofrem de epilepsia e é notório que a terapia de ecp está a ajudar os pacientes resistentes ao tratamento a alcançar a redução na frequência das crises e da gravidade das mesmas ao longo do tempo, levando ao mesmo tempo a melhorias significativas na qualidade de vida», refere ainda a especialista, que não se cansa de elogiar o estudo prospetivo, aleatório e duplamente cego, desenvolvido para avaliar o uso da terapia de ecp em pacientes diagnosticados com epilepsia refratária caracterizada por crises parciais. Os dados do estudo foram apresentados inicialmente na reunião da sociedade americana de epilepsia em dezembro de 2012 e os resultados completos foram agora publicados no jornal neurology.

É uma das alternativas para combater a epilepsia refratária. A terapia de ecp está atualmente aprovada em diversos locais do mundo, incluindo Europa e Estados Unidos da América, para o tratamento dos sintomas incapacitantes do tremor essencial, doença de parkinson avançada e distonia primária crónica incurável. A terapia está também aprovada na união europeia e Austrália para tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo resistente ao tratamento», informa a empresa, que está presente em Portugal desde 1999 e tem cerca de 70 colaboradores, em comunicado.

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